Notícias
Quanto o Brasil perde ao exportar um produto sem valor agregado?
Tweet
O minério de ferro é um dos principais produtos da pauta de exportação do Brasil.e a principal commodity.
As exportações totalizaram 41,8 bilhões de dólares em 2011 após um crescimento recorde de 367% desde 2006 conforme a tabela do Banco Central abaixo.
Motivos para celebrar? Nem tanto.
Ao exportarmos minério bruto, sem valor agregado, estamos repassando todo o lucro da cadeia produtiva ao país comprador que transformará o minério de ferro em ferro gusa, aço e, depois , em produtos industrializados que retornarão ao Brasil com lucros embutidos simplesmente gigantescos. Lucros, é claro, que nós estamos deixando de ganhar. Em suma essa é uma boa definição de país subdesenvolvido. Não há muito a celebrar se almejamos crescer e aumentar a distribuição de riquezas o que deve ser o principal objetivo dos nossos governantes.
Os preços praticados pelo mercado de minério bruto são baixíssimos quando comparados com produtos de valor agregado como ferro gusa, na parte mais baixa da escala ou do aço contido em produtos industrializados, na parte mais alta e nobre da escala.
Um exemplo que ilustra o problema: para construirmos um automóvel médio com 1.000kg de aço serão necessários em torno de 1,6 toneladas de concentrado de minério de ferro. Esse concentrado, após a extração, beneficiamento e transporte será vendido em um porto Brasileiro por apenas R$320 a tonelada ...O veículo importado feito a partir desse minério de ferro chegará ao mesmo porto com preço centenas de vezes mais alto.
O nosso minério de ferro bruto é a espinha dorsal de uma indústria trilionária da qual nós pouco participamos.
Somos o terceiro maior produtor de minério de ferro mas o décimo na produção de aço cujo preço por tonelada é 5 vezes maior do que o do concentrado de minério de ferro que vendemos tão alegremente. Ou seja: ainda somos meros exportadores de matéria prima e continuamos longe de ser uma das maiores economias do mundo.
|
Fonte: IndexMundi
|
Uma revolução que vise uma melhor distribuição de riquezas deve começar com o foco bem definido nos pontos que irão fazer a diferença nesta equação. A educação, infraestrutura e saúde devem obrigatoriamente, ser focados. Mas agregar valor ao minério de ferro a ser exportado é fundamental e deve ser, também, uma das nossas prioridades.
Não podemos nos gabar de sermos grandes exportadores de commodities em estado bruto, como o minério de ferro assim como não podemos nos gabar de termos um dos piores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) só perdendo, na América do Sul, para a Colômbia, Bolívia e a Guiana.
Fonte: Geólogo
Tweet
Notícias Relacionadas
- ABIFA para os Fundidores
- Renúncia de CEO escancara turbulência na Tupy
- Vale amplia vida útil de minas em Itabira e projeta operação até 2053
- Tupy tem rating rebaixado pela S&P e acende alerta sobre alavancagem e recuperação operacional
- Vesuvius reporta lucro do ano fiscal acima das previsões, apesar da pressão sobre as margens
- Montadoras da China podem fazer no Brasil o que fizeram no México?
- Sem sobretaxas, Brasil tem alívio de US$ 14,9 bilhões nas exportações aos EUA, diz Amcham
- AGE da Tupy. Ministro eleito conselheiro. Minoritários esmagados. A ação caiu 44%.
- Veja Todas as Notícias
