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Vale amplia vida útil de minas em Itabira e projeta operação até 2053

Publicada em 2026-03-30



Empresa atribui extensão a avanços tecnológicos e aumento das reservas minerais.

mineradora Vale anunciou, nesta sexta-feira (27/3), a ampliação da vida útil de suas minas em Itabira, na região Central de Minas Gerais, até 2053. A previsão anterior indicava operação até 2041. A nova estimativa foi divulgada em relatório anual exigido para companhias listadas na bolsa dos Estados Unidos.

Em Itabira, a Vale opera o Complexo Itabira, com as minas de Conceição e do Meio, além da Mina do Periquito, já esgotada. A continuidade das operações até 2053, no entanto, depende da obtenção de licenças ambientais para novos projetos, que ainda serão apresentados aos órgãos competentes.

Segundo a empresa, a extensão resulta de avanços em pesquisas geológicas, melhorias no processamento mineral e adoção de tecnologias que permitem maior aproveitamento dos recursos.

A atualização também reflete o aumento das reservas minerais. O volume estimado passou de cerca de 760 milhões de toneladas, em 2024, para aproximadamente 1,15 bilhão de toneladas em 2025 — crescimento de 52%.

Parte desse avanço está ligada à incorporação de materiais antes considerados inviáveis, como o itabirito dolomítico, que passou a ser aproveitado com a evolução das tecnologias de beneficiamento.

Apesar da ampliação do prazo, a Vale informou que não prevê aumento no volume de produção anual. “Isso nos permitirá manter a atividade mineral por mais tempo, promovendo uma mineração mais eficiente e sustentável”, disse o diretor operacional do Complexo de Itabira, Diogo Monteiro.

A empresa destacou ainda iniciativas voltadas à chamada mineração circular, com reaproveitamento de materiais e redução de rejeitos. Em 2025, cerca de 1,5 milhão de toneladas de minério de ferro produzidas em Itabira tiveram origem em fontes reaproveitadas.

De acordo com o vice-presidente técnico da Vale, Rafael Bittar, a operação em Itabira segue como estratégica para o portfólio da empresa.  “Embora exista uma previsão formal de horizonte operacional, esses números são dinâmicos e trabalhamos para permanecer no município pelas próximas décadas”, afirmou.

A empresa tem conduzido o trabalho de descaracterização de barragens a montante, método de construção considerado inseguro e usado nas estruturas que romperam em Mariana, em 2015, e em Brumadinho, em 2019. Conforme a mineradora, das dez estruturas construídas a montante na cidade, oito já foram eliminadas. 


Fonte: O Tempo