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Brasil - Usinas de ferro-gusa já demitiram 37,5 mil
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Do total de 102 altos-fornos para produção de ferro-gusa no Estado, somente 46 estão em atividade atualmente. Desde 2009 - auge da crise financeira internacional - operando com não mais do que metade de sua capacidade instalada, o parque guseiro de Minas Gerais cortou postos de trabalho na mesma proporção ao longo dos anos, o que provocou a demissão de aproximadamente 37,5 mil trabalhadores, entre diretos e indiretos.
Hoje, o setor opera com 55% de ociosidade e luta para manter a produção nos mesmos patamares dos últimos anos. "Estamos sofrendo as consequências de tudo aquilo que começou em 2008. E a economia do Pais não atravessa hoje um momento favorável, o que esta penalizando o setor", lamenta o presidente do Sindicato da Industria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer-MG), Fausto Varela Cancado.
Segundo o dirigente, a plena carga o segmento gera, em media, 25 mil empregos diretos e o dobro de vagas indiretas. Mas, com a produção reduzida praticamente a metade, a conta relativa a eliminação de postos de trabalho pode ser feita na mesma proporção. Isso quer dizer que cerca de 12,5 mil trabalhadores diretos e 25 mil indiretos já foram dispensados. "Hoje, temos aproximadamente 45% da capacidade instalada funcionando. E isso e ruim, porque toda vez que se interrompe a produção, naturalmente, ocorrem demissões. uma mão de obra intensiva e muito importante para as regiões onde estão instaladas as industrias do segmento. Alem disso, os empregos indiretos também ficam comprometidos", explica o presidente do Sindifer-MG.
Em termos de produção, há pelo menos três anos, segundo ele, o setor vem conseguindo manter o volume equilibrado, mas em níveis baixos, próximos da metade da capacidade instalada. E nos primeiros quatro meses de 2015 não foi diferente, uma vez que a produção ficou em linha com a do mesmo período do ano passado. Na avaliação de Cancado, alguns incentivos retirados pelo governo federal contribuíram para piorar a situação do segmento. Como exemplo, ele cita a redução do percentual de ressarcimento tributário do Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra), de 3% para 1%, que atingiu em cheio a atividade, na medida em que as exportações representam um importante mercado para o parque guseiro do Estado.
Prova disso e que, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Industria e Comércio Exterior (Mdic), os embarques mineiros de ferro-gusa cresceram 13,1% em 2014 na comparação com o ano anterior, desempenho que ficou muito acima da media nacional, que registrou queda de 3,8% na mesma base de comparação. Em termos de receita, no exercício passado as vendas das usinas do Estado para o exterior somaram US$ 394,4 milhões, contra US$ 351,3 milhões em 2013, um crescimento de 12,2%. Neste ano, com a valorização do dólar frente ao real, a redução do ressarcimento do Reintegra provocou uma perda que poderia estar incrementando ainda mais a receita com as exportações. Por outro lado, no mercado interno, a mesma alta do dólar impacta os custos.
Isso porque, apesar do preço do minério de ferro (principal matéria-prima do setor, junto com o carvão vegetal), ter caído, a cotação doméstica da commodity e feita com base na moeda americana. "No mercado interno, o minério continua com cotação elevada, uma vez que seu preço em dólar caiu no mercado mundial, mas a moeda americana valorizou no Brasil. O preço interno normalmente e dolarizado porque, como a exportação é grande, a interferência na precificação doméstica também é grande", explicou.
Apesar de apenas 46 dos 102 altos-fornos do Estado estarem em atividade e de todo o cenário adverso, o presidente do Sindifer-MG mantem o tom de otimismo. "Em que pesem as dificuldades, temos que ter otimismo", diz. Já o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Olavo Machado Junior, em poucas palavras resumiu a importância do parque guseiro para cadeia de mineração. "A primeira agregação de valor ao minério e feita pelo ferro-gusa. Temos que fazer com que este setor seja valorizado e que tenha sua importância reconhecida", disse.
Fonte: Gestão Setorial
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