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Desindustrialização e importados
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Inquestionavelmente, o Brasil vive o boom das importações. Os ramos mais atingidos por esse fenômeno são as indústrias têxteis, máquinas, eletrônicos, siderurgia e veículos. A exceção fica por conta das commodities, influenciadas decisivamente pela continuidade do crescimento da economia chinesa e a impulsão dos preços, aspecto comprovado pela recomposição dos termos de troca do comércio externo do País.
O empuxe do ingresso de produtos de procedência estrangeira no Brasil decorre de fatores estruturais e conjunturais. Os determinantes estruturais repousam na precariedade infraestrutural, no elevado fardo tributário, na burocracia excessiva e nos reduzidos níveis de inversões em ciência e tecnologia, que vem combalindo o poder de concorrência dos agentes produtivos do país.
Já as causas conjunturais recaem sobre a guerra cambial mundial, patrocinada por Estados Unidos (EUA), Japão e China, que executam estratégias orientadas ao aumento das exportações via, sobretudo, a depreciação de suas moedas; o emprego de expedientes tributários pela maioria dos estados brasileiros para baratear as importações de matérias-primas e bens de ativo fisco; e a dobradinha juros reais elevados e câmbio apreciado, e o abrupto acréscimo das despesas com mão de obra, devido à insuficiência de trabalho qualificado, contido, curiosamente, em grande proporção, pela substituição do pessoal ocupado pela importação de equipamentos.
O mais gritante, porém, é a perspectiva concreta de aprofundamento da trajetória de invasão dos importados, em um clima de reprodução, por essas paragens, do fenômeno conhecido como doença holandesa, a julgar pelo substancial incremento dos investimentos industriais em ramos baseados em recursos naturais e petróleo, em detrimento dos empreendimentos com maior agregação de valor e/ou conteúdo tecnológico.
Tal evento, também chamado de desindustrialização, em vez de colaborar para a sadia correção de distorções na matriz técnica, provocados pelo prolongado período de fechamento econômico do país, pode prejudicar ou até destruir segmentos locais que seriam eficientes em circunstâncias de alinhamento dos preços relativos, além de “criminalizar” as iniciativas empreendedoras.
Essa anomalia só poderia ser contornada com um arranjo cambial competitivo e/ou com a cobrança de impostos de exportação sobre as commodities, o que, na macroeconomia, imporia a países emergentes como o Brasil, a função de exportador de excedentes financeiros derivados balança comercial às nações avançadas, em troca da transferência de ativos (ações e títulos).
Gilmar Mendes Lourenço, é Economista, Coordenador do Curso de Economia da FAE, Diretor do Sindecon-PR e autor do livro “Conjuntura Econômica: Modelo de Compreensão para Executivos”.
Fonte: Bem Paraná
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