Desde a prisão de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, a Venezuela está dominando o noticiário. E não poderia ser diferente: uma das muitas discussões geradas a partir desse acontecimento é a potencial abertura de seus mercados, mais especificamente de petróleo.
É importante notar que o país vizinho possui a maior reserva de petróleo do mundo. Entretanto, quase não explora esses recursos. A sua participação no mercado global, desde que passou a sofrer com embargos e sanções econômicas, caiu drasticamente.
Hoje, a Venezuela conta com uma infraestrutura antiga, quase que sucateada.
O paralelo sugerido no título desta newsletter refere-se à importância estratégica que o petróleo venezuelano tem para os EUA no rearranjo geopolítico.
Essa reserva não significa só controle inflacionário – como alguns têm apontado ser um dos motivos da intervenção americana por lá –, mas segurança energética de longo prazo e, principalmente, dominância geopolítica da região.
Essa mesma discussão da independência de recursos naturais americana também está acontecendo em relação às Terras Raras.
Hoje, a China concentra não só a maior parte da mineração mundial, com cerca de 70%, mas também as reservas (cerca de 50% do total global). E, nesse assunto, o Brasil aparece em uma posição de destaque, assim como a Venezuela apareceu em relação ao petróleo.
O Brasil possui a segunda maior reserva de Terras Raras no mundo. Entretanto, tem uma mineração baixíssima, inferior a 1% do total. É um número quase insignificante diante da gigante China.
Para os EUA, que precisam de acesso a esses elementos, ficar refém do país asiático, que por diversas vezes utiliza essa dominância como ameaça e mecanismo de barganha em negociações, não é mais uma opção viável.
Portanto, a aproximação americana com esse interesse em mente faz todo o sentido. O Brasil não só é um país culturalmente muito alinhado com os EUA, como está posicionado em um continente onde a China ganhou muita influência e participação nos últimos anos. Esfriar essa relação latino-americana com os asiáticos seria igualmente interessante para os americanos.
Nesse ponto, o Brasil tem em suas mãos uma moeda muito valorizada e que, se negociada corretamente, poderia trazer a maior economia do mundo para mais perto em um momento em que esse relacionamento vem passando por altos e baixos.
A posição brasileira é privilegiada economicamente, pois contém recursos desejados pelos americanos, mas ignorados pelos chineses, no caso das Terras Raras – assim como há recursos desejados pelos chineses, mas de menor interesse para os americanos, como alimentos, minério de ferro, entre outros que já exportamos para o país asiático.
Ou seja,temos o privilégio que poucos países têm de poder negociar e comercializar com as duas maiores potências econômicas do mundo, e tratando de produtos que realmente interessam a ambas. Para tirar proveito disso, claro, a política tem papel crucial. Países com maiores reservas de Terras Raras (em milhões de toneladas) |