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Estudo aponta que minério de ferro, incluindo o que sai de Carajás, será necessário por mais 25 anos
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Estudo publicado na revista Iron & Steel Technology revela que demanda global por minério de ferro continuará até 2050. Após essa data, tendência é o minério de ferro seja substituído por outros minerais na construção civil.
Um estudo técnico publicado na revista Iron & Steel Technology em junho de 2025, elaborado por Jiang, Li, analista na empresa chinesa Baosteel, traz uma resposta direta a uma pergunta que interessa ao mundo inteiro: até quando a humanidade ainda vai precisar de minério de ferro, incluindo o que sai da Província de Carajás, um dos mais puros do mundo? A pesquisa analisa a demanda global por aço até 2050 e, a partir disso, projeta a necessidade futura de minério de ferro, principal matéria-prima da siderurgia.
Segundo o estudo, o consumo de aço continuará crescendo nas próximas décadas, embora em ritmo mais lento do que no passado. Isso acontece porque países em desenvolvimento ainda precisam construir cidades, infraestrutura, estradas, energia e habitação — tudo fortemente dependente do aço. O trabalho estima que a demanda global por aço pode chegar a cerca de 2,63 bilhões de toneladas nas próximas décadas, sustentando a necessidade de matérias-primas como minério de ferro, sucata metálica e ferro reduzido direto (DRI).
Ao traduzir a análise central do estudo, fica claro que o minério de ferro não deixará de ser necessário tão cedo. A projeção indica que, até 2050, a demanda global por minério de ferro deve se estabilizar em torno de 2,34 bilhões de toneladas, um nível semelhante ao registrado em 2021. Ou seja, mesmo com avanços tecnológicos e reciclagem crescente, o mundo continuará dependendo de grandes volumes desse recurso por pelo menos as próximas décadas.
A pesquisa também destaca que a sucata de aço terá participação cada vez maior na produção siderúrgica. Isso ocorre porque reutilizar metal reduz custos e emissões de carbono, além de economizar matéria-prima. O próprio estudo explica que o uso de sucata pode reduzir significativamente o consumo de minério de ferro, já que cada tonelada reciclada substitui parte da necessidade de extração mineral. Ainda assim, o crescimento da população mundial, da urbanização e das obras de infraestrutura mantém a demanda estrutural por minério em níveis elevados.
Outro ponto relevante traduzido do estudo é o avanço do ferro reduzido direto (DRI), que deve ganhar espaço na produção de aço de baixo carbono. Mesmo assim, ele não elimina o papel do minério de ferro, pois também depende do ferro como elemento base. Em outras palavras, a transição energética muda a forma de produzir aço, mas não elimina a necessidade do recurso mineral.
A Província Mineral de Carajás abriga uma das maiores reservas de minério de ferro de alta qualidade do planeta, com teor elevado e grande eficiência produtiva. Em um cenário em que a demanda mundial tende a se manter estável até pelo menos 2050, regiões com minério de melhor qualidade tornam-se ainda mais valorizadas, pois permitem produzir aço com menor custo energético e menor emissão de carbono.
Assim, a pergunta “até quando o mundo vai precisar de minério de ferro?” encontra, à luz do estudo, uma resposta clara: por mais duas décadas e meia. A demanda não deve desaparecer, mas sim se transformar, acompanhando mudanças tecnológicas, ambientais e econômicas. Mesmo com mais reciclagem e inovação na siderurgia, o minério de ferro continuará sendo a base da produção de aço global — e, consequentemente, do desenvolvimento urbano, industrial e tecnológico do planeta.
Nesse cenário de mais 25 anos de alta demanda, é fundamental que os municípios que hoje dependem da extração do minério de ferro diversifiquem suas economias. Afinal, 25 anos passam rápido e, após este ponto, o mundo deve mudar para sempre.
Fonte: Gazeta Carajás
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